POLITICA: Da exclusão de Lídice à ameaça a Coronel: o xadrez político do Senado na Bahia

  • 02/06/2025
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POLITICA: Da exclusão de Lídice à ameaça a Coronel: o xadrez político do Senado na Bahia

“2018 x 2026: o déjà-vu da exclusão política no Senado baiano”

João Dourado, junho de 2025 – A disputa por espaços políticos dentro da base aliada do governo da Bahia volta a evidenciar um velho dilema: até que ponto o Partido dos Trabalhadores (PT) está disposto a dividir protagonismo com seus aliados? A movimentação para lançar o ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), como candidato ao Senado em 2026, reacende um debate que já sacudiu os bastidores da política baiana em 2018 — quando a senadora Lídice da Mata (PSB) foi excluída da chapa majoritária para dar lugar ao então presidente da Assembleia Legislativa, Ângelo Coronel (PSD).

2018: Lídice fora da chapa

Em 2018, Lídice da Mata encerrou seu mandato no Senado após não ser incluída na chapa majoritária governista liderada por Rui Costa, então governador. Mesmo sendo senadora em exercício e com forte atuação política e histórica na esquerda baiana, Lídice foi preterida em favor de uma aliança estratégica com o PSD.

Naquela ocasião, o PT indicou Jaques Wagner, ex-governador e nome forte da legenda, enquanto a segunda vaga ficou com Ângelo Coronel, apadrinhado pelo PSD. A justificativa era clara: ampliar a base de sustentação política no interior do estado e garantir estabilidade institucional.

Sem apoio formal da coligação, Lídice optou por não concorrer ao Senado. Disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, foi eleita, mas não escondeu a mágoa: considerou a manobra um “erro histórico” que reduziu o espaço da esquerda feminina na política baiana.

2026: O jogo vira

O tabuleiro agora parece ter virado. Com duas vagas ao Senado em disputa na eleição de 2026, o PT ensaia lançar uma "super chapa" que inclui:

  • Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição ao governo estadual;
  • Jaques Wagner (PT), atual senador buscando renovar seu mandato;
  • Rui Costa (PT), ministro da Casa Civil, pleiteando a segunda vaga ao Senado.

A nova composição, no entanto, deixa de fora justamente Ângelo Coronel (PSD), atual senador e então beneficiário da articulação de 2018. Hoje, Coronel se vê no mesmo lugar em que Lídice esteve sete anos atrás: preterido por um cálculo político que favorece os interesses do PT em detrimento da representatividade da aliança.

Coronel tem reagido com firmeza, relembrando a exclusão de Lídice e questionando a coerência da legenda. “Naquela época, disseram que o PSD era estratégico. Agora que temos mais prefeituras e maior bancada, querem nos tirar da jogada?”, teria dito em conversas reservadas.

Comparações e tensões

As semelhanças entre os episódios são claras:

  • Ambos envolvem a exclusão de um aliado com mandato em exercício no Senado.
  • Em 2018, o PSD foi beneficiado; em 2026, pode ser sacrificado.
  • A motivação nos dois casos é o fortalecimento da hegemonia do PT na Bahia.

A diferença mais significativa está na força política dos partidos envolvidos. O PSB de Lídice era (e ainda é) uma legenda menor na Bahia. Já o PSD, liderado por Otto Alencar e com forte presença no interior, é atualmente o maior partido do estado em número de prefeituras. Excluir Coronel pode custar caro à coesão da base aliada, especialmente se o PSD decidir romper com o PT e lançar candidatura própria ao governo ou ao Senado.

Conclusão: hegemonia ou coalizão?

A crise atual evidencia os limites da governabilidade baseada em hegemonia partidária. O PT, vitorioso em todas as eleições majoritárias na Bahia desde 2006, parece buscar consolidar ainda mais sua posição com uma chapa 100% petista para o Senado. Mas a exclusão de aliados estratégicos pode ter efeitos colaterais graves, como o rompimento da aliança com o PSD ou mesmo o enfraquecimento de Jerônimo Rodrigues na disputa pela reeleição.

A história, como se vê, pode não se repetir da mesma forma, mas rima. Resta saber se o PT aprenderá com o caso Lídice — ou se abrirá um novo flanco de desgaste interno em sua busca por domínio político total.


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