POLITICA:A Escolha que Mudou Tudo: A Derrota em Salvador e a Perda de Espaço Político de Geraldo Júnior
- 09/01/2026
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Do Protagonismo ao Silêncio Político: O Reposicionamento de Geraldo Júnior no Cenário Baiano
A política baiana tem sido marcada, nos últimos anos, por ascensões rápidas e quedas igualmente aceleradas. Um dos exemplos mais emblemáticos desse movimento é o do vice-governador da Bahia, Geraldo Júnior (MDB), popularmente conhecido como “Geraldinho”. Em um intervalo de apenas quatro anos, o político saiu do centro das decisões estratégicas do grupo governista para uma posição de visível retração no debate público e nos bastidores da política estadual.
Em 2022, Geraldo Júnior era considerado um dos nomes mais influentes da política baiana. À época, deixou a presidência da Câmara Municipal de Salvador para compor, como candidato a vice-governador, a chapa encabeçada por Jerônimo Rodrigues (PT). A decisão causou forte impacto nos bastidores, reposicionando Geraldinho como peça-chave da coalizão governista e projetando-o para o cenário estadual.
Durante o início do mandato, ainda manteve certa visibilidade institucional. No entanto, o cenário começou a se alterar em 2024, quando Geraldo Júnior decidiu disputar a Prefeitura de Salvador, enfrentando nomes consolidados da política local. O resultado foi frustrante: terminou a eleição apenas na terceira colocação, desempenho considerado abaixo das expectativas, sobretudo por se tratar de um vice-governador em exercício e integrante direto do grupo político que governa o Estado.
Nos bastidores, o resultado foi interpretado como um revés político significativo. Em eleições, o voto é o principal termômetro de força, e a derrota expôs limitações na capacidade de transferência de capital político, especialmente em um colégio eleitoral estratégico como Salvador. A partir daí, Geraldo Júnior passou a ser menos citado nas articulações para 2026, inclusive nas discussões sobre a formação da chapa majoritária estadual.
Embora o MDB siga reivindicando espaço na composição do próximo projeto eleitoral do governo, a avaliação predominante é de que, mesmo que o partido mantenha a vaga de vice, o nome de Geraldo Júnior dificilmente será o escolhido. A política é pragmática, e o desempenho eleitoral recente pesa de forma decisiva nas escolhas estratégicas.
Outro ponto que começa a ganhar espaço nas análises políticas diz respeito ao futuro do grupo familiar. Com a visibilidade reduzida e o enfraquecimento do capital eleitoral, surgem questionamentos sobre a capacidade de Geraldo Júnior de influenciar diretamente a reeleição de seu filho para a Assembleia Legislativa da Bahia, em um cenário cada vez mais competitivo.
O caso de Geraldo Júnior ilustra uma máxima conhecida nos meios políticos: decisões estratégicas mal calibradas podem custar caro. Seja por vaidade, pressão interna ou avaliação equivocada de força política, a candidatura à Prefeitura de Salvador acabou funcionando como um divisor de águas em sua trajetória recente.
Atualmente, o silêncio em torno de seu nome nos debates mais relevantes reforça a percepção de que a política, sobretudo em grandes centros, não oferece margem para erros sucessivos. Força política se mede em votos, e, sem eles, até nomes antes centrais podem ser rapidamente deslocados para a periferia das articulações.
O futuro de Geraldo Júnior permanece em aberto. Resta saber se conseguirá reconstruir pontes, retomar protagonismo ou se seu papel, ao menos no curto prazo, será o de coadjuvante em um cenário político que se mostra cada vez mais competitivo e implacável.






